Enquanto se aproximava do aeroporto em Fortaleza, já sobrevoando o bairro Mondubim, o avião cedido pelo Governo do Ceará foi subitamente colhido por um jato TF-33A, da Força Aérea Brasileira (FAB).

Passados 11 dias do início do golpe militar, aconteceu no Congresso, o processo de eleição indireta do novo Presidente da República. O pleito já estava previsto no Ato Institucional n°1 (Al-1), e o Exército estava à beira de uma ruptura: a disputa era entre o recém-empossado Comandante do Exército, General Arthur da Costa e Silva e o chefe do Estado-Maior, General Castello Branco. Ambos desejavam ocupar a cadeira da Presidência. Apesar disso, Castello Branco, em razão de seu “prestígio militar e do verniz legalista que acalmava a todos”, assumiu. No dia 18 de julho de 1967, Castelo se dirigia a Fortaleza, já de volta de uma viagem à fazenda da escritora Raquel de Queirós, quando o pequeno avião que o transportava colidiu por cima do bairro Mondubim, com um caça a jato da base aérea da cidade.
A tragédia deixava no ar um rastro de mistério que perdura há 59 anos, já que o tempo era perfeito para o trafego aéreo bom, com visibilidade praticamente ilimitada e nebulosidade insignificante. Há relatos de conspiração, seguida de assassinato. Do outro, os que creem em fatalidade. Alguns militares falavam em atentado e vingança vinda da ala divergente entre os próprios militares contrários a Castello Branco. Unanimidade, o caso se tornou uma das maiores tragédias da aviação cearense e é a mais controversa morte de um ex-presidente brasileiro.

Vários fatores e imprevistos ocorridos, como atrasos de passageiros e alterações no horário da viagem, tornam improvável que o choque tenha sido intencional. Porém, a falta de transparência na condução das investigações e perguntas até hoje sem respostas alimentam especulações de crime com motivação política. Unanimidade, o caso se tornou uma das maiores tragédias da aviação cearense e é a mais controversa morte de um ex-presidente brasileiro.
