Problemas como a falta de material e condições inapropriadas de ambiente e material para executar procedimentos cirúrgicos, fazem parte da lista periódica de problemas na rotina dos pacientes e profissionais.

Um médico que já trabalhou no hospital e que não quis se identificar conta que, em uma ocasião não havia sequer luvas para reanimar um paciente. “Já faltou noradrenalina, outro mês faltou anti-hipertensivos básicos, já deixei de aspirar porque faltava frasco…” Ele conta que também já aconteceu de faltar medicamentos de primeira escolha em caso de infarto, com os médicos tendo que usar os de terceira escolha em vez disso.

Em paralelo a isso, mães de crianças necessitadas de procedimentos cirúrgicos contam que as operações, constantemente, são desmarcadas e adiadas, com o tempo de espera chegando a nove meses em alguns casos. A falta de materiais e equipamentos é apontada como principal fator que impossibilita a realização das cirurgias.

Uma denúncia recebida pelo Conselho Regional de Enfermagem (Coren-CE), em setembro do ano passado, apontava as condições precárias da infraestrutura do hospital. Tendo ido ao local verificar os problemas apontados, o conselho constatou irregularidades que comprometiam a esterilização do material no bloco cirúrgico e notificou a instituição, de modo que isso fosse resolvido. Aproximadamente 100 dias depois, em janeiro deste ano, a fiscalização retornou ao local e as pendências ainda não haviam sido solucionadas. Ana Paula Lemos, conselheira-secretária do Coren-CE, conta que entre os problemas encontrados estavam paredes deterioradas, pisos descontinuados, e parte do teto despencando, inclusive com aberturas acima de uma autoclave, aparelho usado para esterilizar outros materiais a serem usados no procedimento cirúrgico.

A direção do hospital declarou que, já tendo sido cobrada pela Vigilância Sanitária em uma visita, a central de materiais e esterilização está em um processo de reestruturação. Em paralelo a isso, a assessoria de comunicação do Ministério Público do Estado do Ceará (MP-CE) indica que deverá ser instaurado, ainda esta semana, um procedimento na Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde Pública da instituição.

 

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