Varejistas e marcas de moda utilizam inteligência artificial para melhorar experiência do cliente e criar coleções com maiores chances de sucesso.

A inteligência artificial começa a entrar em todos os aspectos da vida moderna. Depois da chegada dos assistentes pessoais — como o Echo, da empresa de tecnologia Amazon — para fazer compras, ligações e ouvir música, e do uso dessa tecnologia nos serviços de call center — é cada vez mais comum falarmos com um robô nos serviços de atendimento ao cliente das operadoras de TV a cabo — essa nova tecnologia passa a ser adotada também na moda, que vê na computação uma forma de mudar o atendimento no varejo.
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A ideia, que foi testada pela empresa de tecnologia Microsoft, é que um totem eletrônico fotografe e identifique o estilo dos clientes, sugerindo quais roupas funcionam melhor para os guarda-roupas dessas pessoas. Uma solução como essa foi apresentada pela empresa durante o São Paulo Fashion Week, em agosto. O painel fazia a análise das roupas e indicava quais desfiles tinham a maior probabilidade de cair no gosto do visitante.

“Ensinamos ao algoritmo tudo o que ele pode aprender sobre determinado assunto. A partir daí, ele começa a tomar suas próprias conclusões. Criamos um banco com 55 milhões de imagens de moda para ele atingir a precisa de sugestão”, explica Fábio Scopeta, líder de Inteligência Artificial da Microsoft na América Latina.

Não há ainda marcas no Brasil que utilizam ferramentas desse tipo, mas há vários exemplos no exterior. A loja de departamentos Macy’s, por exemplo, utiliza um chatbot, um robô que interage por meio de mensagens de texto, para esclarecer qualquer dúvida de seus clientes.

Por meio do aplicativo da loja, o robô é capaz de explicar se o tamanho de uma calça número 42 pode ser considerado como tamanho M, ou então a numeração de calçados no sistema americano e europeu.

O serviço também é capaz de detectar quando uma frase positiva ou negativa é falada, que indicaria a intenção de conclusão de compra ou dúvidas sobre o produto.

Nesse momento, o sistema inteligente oferece ao comprador a opção de conversar com um vendedor. Por meio de notificação em seu dispositivo móvel, o robô alerta um funcionário da loja que encontra o cliente e oferece assistência.

“Por trás dessa estratégia está o fato de que os consumidores que utilizam plataformas móveis fazem o dobro de compras em relação aos consumidores que usam computadores”, explica Mariana Santiloni, expert da empresa de análises e tendências WGSN.

Outra iniciativa de inteligência artificial em compras é a do grupo Yoox Net-a-Porter, um e-commerce de moda, que está desenvolvendo uma tecnologia que permite aos clientes comprarem produtos pelo app de mensagens WhatsApp.

A ideia é gerar um canal mais customizado para cada cliente, onde ele possa conversar com a loja da mesma maneira com que conversa com os amigos e familiares no app.

Um estudo organizado pela consultoria J. Walter Thompson, em parceria com o jornal comercial de moda WWD, afirma que mais de 70% dos millennials dos Estados Unidos — grupo dos 18 aos 30 anos que constitui os “consumidores do futuro” para a maioria das marcas de luxo — acredita que inteligências artificiais vão ser capazes de prever o que eles desejam comprar.

Esse segmento já movimentou cerca de 2 bilhões de dólares em 2017, em um gasto anual que deve alcançar 59 bilhões de dólares até 2025, segundo dados da Tractica, consultoria de interação do ser humano com tecnologia.

A inteligência artificial também consegue fazer o lado criativo do mercado de moda. A gigante varejista online Amazon desenvolveu um algoritmo que consegue não só identificar as tendências de moda, mas também indicar quais dessas tendência devem ter mais sucesso em termos de vendas.

A IA ainda está em fase de testes, mas funciona captando informações sobre os desfiles de moda da estação. Depois, ela identifica, por meio de leitura de dados em redes sociais, quais desfiles despertam mais interesse nas pessoas e, por fim, elege as peças mais indicadas.

A ideia da empresa é integrar a solução com o Prime Wardrobe, um serviço que permite ao usuário escolher roupas, experimentar e devolver as que não quiser, ao oferecer opções customizadas (e assertivas) para cada cliente.

Se a Amazon ainda está em fase de testes, outras empresas, mesmo que menores, já estão aplicando a análise de dados em suas peças. A rede de lojas norte-americana Kohl’s começou a usar dados sociais para impulsionar a criação de sua nova marca de fast fashion, a K/Lab.

Voltada para a geração Y, a empresa nomeou um cientista de dados para analisar as plataformas sociais, seguir blogueiros para ver o que está em alta entre seus seguidores e analisar o comportamento do consumidor. Todas essas informações são, então, agregadadas para o curador de estilo da K/Lab, que trabalha com um planejador de produtos para finalizar os itens a serem criados.

O futuro parece dominado pela inteligência artificial, mas é importante ressaltar que todas as soluções aparecem como facilitadores de algum processo. O trabalho criativo, realizado pelo estilista, por enquanto, segue fora de ameaça. “Esse tipo de tecnologia serve para ampliar e a nossa capacidade, o nosso potencial criativo. Não para nos substituir”, diz Scopeta.

 

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